WhatsApp e API

Migrar da Evolution API para a API oficial sem perder o app: o modo coexistência na prática

O modo coexistência da Meta mantém o app no celular, sincroniza 180 dias de conversas e mata a objeção que sustentava o não oficial. Passo a passo e limites.

Migrar da Evolution API para a API oficial sem perder o app: o modo coexistência na prática

Durante anos, a conversa sobre migrar da Evolution API para a API oficial do WhatsApp morria sempre na mesma frase: “mas aí eu perco o WhatsApp do celular”. Era verdade, e era um preço que dono de operação nenhum aceitava pagar. Desde 2025 essa frase está desatualizada: a Meta documentou o modo coexistência, que conecta o número à Cloud API mantendo o aplicativo WhatsApp Business funcionando ao lado. A objeção que sustentou o mercado não oficial por anos simplesmente saiu do jogo, e pouca gente percebeu.

TL;DR: A migração da Evolution API para a API oficial com coexistência mantém o número, mantém o aplicativo no celular e sincroniza até 180 dias de conversas individuais, conforme a documentação da Meta para desenvolvedores (2025). Requisitos: app WhatsApp Business na versão 2.24.17 ou superior e onboarding via parceiro da plataforma. Limites documentados: grupos ficam fora da sincronização, listas de transmissão e mensagens temporárias são desativadas no número conectado, e a vazão fica fixa em 20 mensagens por segundo. O histórico preso na sessão da Evolution API não migra; o do aplicativo, sim.

O que o modo coexistência muda, nos fatos

Pela documentação oficial da Meta (2025), o desenho é este: o número do WhatsApp Business entra na Cloud API pelo fluxo de onboarding de usuários do aplicativo, e os dois mundos passam a operar juntos. O aplicativo segue para conversas do dia a dia, uma a uma; a API assume automação, integrações e volume. As mensagens enviadas pelo app chegam ao sistema conectado por webhooks de eco, e o sistema espelha tudo: a caixa de entrada da plataforma e o celular contam a mesma história.

Três detalhes da documentação merecem destaque porque respondem exatamente às dores de quem vem da Evolution API:

  • Histórico: a sincronização inicial importa até 180 dias de conversas individuais e todos os contatos com WhatsApp, na janela de 24 horas após o onboarding. Mídias antigas têm limite adicional: apenas as dos últimos 14 dias trazem os arquivos referenciáveis.
  • O celular continua no bolso: a resposta rápida que o dono dá às 22h continua existindo, e aparece no sistema. Era o eco que faltava no arranjo não oficial, aquele das mensagens sumidas que descrevemos em Evolution API + Chatwoot.
  • Desconexão é decisão sua: sair da coexistência se faz pelo próprio aplicativo (Configurações, Conta, Plataforma de negócios), não por um deregister de API. O controle do vínculo fica com quem segura o celular.

O que você perde (lista honesta)

A documentação da Meta lista o custo, e ele precisa estar na mesa antes da decisão: grupos não sincronizam com a API (continuam existindo só no app); mensagens temporárias são desligadas nas conversas individuais; visualização única e localização em tempo real são desabilitadas; listas de transmissão do app deixam de funcionar; Windows e WearOS saem da lista de dispositivos companion. E a vazão do número fica fixa em 20 mensagens por segundo, suficiente para atendimento e automação comercial, apertada para disparo massivo de campanha em pico.

Se a sua operação vive de listas de transmissão do aplicativo ou de grupos geridos por automação, a coexistência não é o seu desenho, e é melhor saber agora.

O passo a passo da migração

  1. Auditoria do que existe. Liste o que a Evolution API faz hoje: fluxos de n8n, integrações, bots. Cada um vai precisar de equivalente sobre a API oficial (a maioria tem, com a vantagem de webhooks estáveis e documentados).
  2. Atualize o aplicativo. WhatsApp Business na versão 2.24.17 ou superior, requisito documentado.
  3. Escolha por onde conectar. O onboarding de coexistência passa por parceiros da plataforma (Solution Partners e Tech Providers, na nomenclatura da Meta). Na prática, você conecta através de uma plataforma que ofereça esse fluxo. O Cubo Suite tem a conexão de coexistência nativa, e sim, este parágrafo é o nosso interesse comercial falando com todas as letras.
  4. Conecte e valide a sincronização. Escaneie o fluxo de vínculo, aguarde a janela de importação (até 24h para o histórico) e valide: contatos presentes, conversas recentes visíveis, eco do app chegando ao painel.
  5. Reaponte as automações. Os fluxos que falavam com a Evolution API passam a falar com a plataforma ou com a Cloud API. Aqui morre também a trava de versão: payload documentado não muda por surpresa de release.
  6. Desligue a instância antiga por último. Rode uma semana em paralelo (a sessão da Evolution API num número de teste, se quiser preservar consultas) antes de apagar qualquer coisa. O histórico da sessão não oficial não é exportável para a API; o que estiver só lá, documente antes.

Quando NÃO migrar

Coerência com o que escrevemos no guia da Evolution API: projeto pessoal, automação interna sem receita e experimentos ficam melhor no regime aberto e gratuito. A migração se paga quando o número carrega receita, equipe ou marca de cliente, porque aí o que se compra é a saída do risco de banimento descrito em bloqueio de número, e a conta de tarifas joga a favor: pelo modelo por mensagem da Meta vigente desde julho de 2025, atendimento iniciado pelo cliente é gratuito, e só o disparo ativo de marketing é tarifado (US$ 0,0625 por mensagem no Brasil).

Conheça o CRM white label →

Preciso trocar de número para ir para a API oficial?

Não. O modo coexistência foi desenhado exatamente para levar o número existente do aplicativo para a Cloud API, mantendo o app ativo e o histórico individual sincronizado.

O que acontece com as conversas que estavam na Evolution API?

A sessão não oficial não exporta para a plataforma. O que migra é o histórico do aplicativo WhatsApp Business: até 180 dias de conversas individuais, pela sincronização documentada da Meta. Se registros da instância importam, salve-os antes de desligar.

A coexistência tem custo extra da Meta?

O modelo tarifário é o mesmo da Cloud API: mensagens enviadas pelo aplicativo continuam gratuitas, e as enviadas pela API seguem a tabela por mensagem vigente desde julho de 2025 (serviço gratuito, marketing tarifado).

Posso desistir e voltar como era?

A desconexão da coexistência é feita no próprio aplicativo e desfaz o vínculo com a API. Os recursos desativados (transmissões, temporárias) voltam ao comportamento normal do app após a desconexão, e a operação pela API cessa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conhecer o white label →