Clínicas e saúde

Regras do CFM e do CFO para o WhatsApp da clínica: o que pode e o que não pode na mensagem

Para o CFM, o WhatsApp é rede social própria do médico e da clínica, e a mensagem de captação segue as regras de publicidade. Este guia resume o que a Resolução CFM nº 2.336/2023 e o Código de Ética Odontológica permitem e proíbem, e o impacto na conversa da recepção, no agente de IA e no disparo para a base.

Regras do CFM e do CFO para o WhatsApp da clínica: o que pode e o que não pode na mensagem

TL;DR: para o Conselho Federal de Medicina, o WhatsApp é uma “rede social própria” do médico e da clínica, e a publicidade feita ali segue a Resolução CFM nº 2.336/2023. Ela permite informar como marcar consulta, valores, formas de pagamento e descontos em campanha, e proíbe prometer ou insinuar resultado, anunciar serviço médico gratuito em consultório privado e oferecer consultoria no lugar da consulta. Na odontologia, o Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012) é mais restritivo com preço, antes e depois e captação ativa. Na dúvida, a comissão de publicidade do conselho regional responde consulta prévia.

Imagine uma clínica que monta uma campanha para reativar pacientes, escreve um texto animado (“resultado garantido em 3 sessões, avaliação grátis!”), aprova o template na Meta e dispara para 2 mil contatos. A Meta aprovou, então está tudo certo? Não necessariamente. A Meta avalia o template pelas regras dela. Quem avalia a publicidade médica ou odontológica é o conselho da profissão, e as regras dele valem também para o WhatsApp.

Este guia resume o que as normas dizem e o que muda em três tipos de mensagem: captação, disparo para a base e conversa da recepção. A Cubo Suite vende plataforma de WhatsApp com disparo e agente de IA, e não presta consultoria jurídica ou ética. O texto se apoia na leitura direta das normas, feita em outubro de 2026, e cada uma tem a sua comissão para tirar dúvida.

O WhatsApp conta como publicidade para o CFM?

Conta. A Resolução CFM nº 2.336/2023, que trata de publicidade e propaganda médicas e está em vigor desde março de 2024, lista expressamente o WhatsApp entre as “redes sociais próprias” do médico e dos estabelecimentos (art. 8º, §1º), ao lado de site, Instagram e YouTube. Nas redes próprias, a publicidade pode ter o objetivo de “formação, manutenção ou ampliação de clientela” (art. 8º, §2º). Captar paciente pelo WhatsApp, então, é permitido, desde que dentro das regras.

Na clínica, quem responde pela divulgação do estabelecimento é o Diretor Técnico-Médico (art. 3º, II). Então a campanha que a recepção ou a agência monta sai, para efeito do conselho, com a assinatura de um médico.

O que a resolução do CFM permite na mensagem

O art. 9º lista o que é permitido, e várias permissões cabem numa mensagem de WhatsApp:

  • informar a forma de marcação de consulta, os horários e a dinâmica de funcionamento (inciso IV);
  • informar valores de consultas, meios e formas de pagamento (inciso VI);
  • anunciar abatimentos e descontos em campanhas promocionais, sem vincular a promoção a venda casada ou premiação (inciso VIII);
  • revelar resultados comprováveis de tratamentos, desde que sem identificar pacientes (inciso XVI).

As peças precisam identificar o médico com nome, número de CRM, a palavra MÉDICO e, para especialista, o RQE (art. 4º). Para clínica, o nome do estabelecimento com o registro no CRM e o nome do Diretor Técnico-Médico com a inscrição (art. 5º). Nas redes sociais, esses dados ficam na página principal do perfil (art. 6º). Na nossa leitura, o equivalente no WhatsApp é o perfil comercial do número da clínica: preencha a descrição com esses dados. Para campanhas disparadas, a dúvida sobre repetir os dados em cada mensagem é exatamente o tipo de pergunta que a comissão de publicidade (Codame) do CRM responde, e o art. 13, V, garante esse direito de consulta.

O que a resolução do CFM proíbe

O art. 11 concentra as vedações. As que mais aparecem em mensagem de WhatsApp:

Vedação (Resolução CFM nº 2.336/2023) Como aparece no WhatsApp
Garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento (art. 11, XII) “Resultado garantido”, “você vai sair outra pessoa”, “zero dor”
Anunciar prestação de serviços médicos gratuitos em consultório privado (art. 11, §4º, c) “Avaliação médica grátis” numa campanha de clínica particular
Oferecer consultoria a pacientes como substituição da consulta, fora do que a resolução de telemedicina regula (art. 11, XI) Bot ou recepção respondendo dúvida clínica pelo WhatsApp
Sensacionalismo e autopromoção, incluindo representações que induzam garantia de resultado (art. 11, XVI e §2º) “O melhor tratamento da cidade”, imagem editada de resultado

Sobre antes e depois, a resolução não proíbe, mas impõe condições (art. 14, II): as imagens vêm em conjunto, com indicações, evoluções satisfatórias e insatisfatórias e complicações, acompanhadas de texto educativo; sem identificar o paciente e sem edição. Na nossa leitura, uma foto isolada de “depois” mandada num template de campanha dificilmente cumpre essas condições.

O item da avaliação gratuita surpreende muita clínica, porque é comum no mercado. O texto do CFM trata o anúncio de serviço médico gratuito em consultório privado como concorrência desleal. Se a avaliação for feita por médico, consulte a Codame antes de escrever “grátis” na campanha.

Odontologia: o que diz o CFO

A odontologia segue o Código de Ética Odontológica, aprovado pela Resolução CFO-118/2012, que tem um capítulo próprio sobre anúncio, propaganda e publicidade. As regras valem para dentistas e também para clínicas e outras pessoas jurídicas (art. 46), e proprietários e responsável técnico respondem solidariamente pela publicidade irregular (art. 45).

  • Identificação obrigatória: nome e número de inscrição da pessoa física ou jurídica e, para clínica, nome e inscrição do responsável técnico (art. 43).
  • Preço e gratuidade: o art. 44, I, considera infração a publicidade enganosa ou abusiva, “inclusive com expressões ou imagens de antes e depois, com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento”, que impliquem comercialização da odontologia. Por isso, mensagem de captação odontológica com preço ou “avaliação grátis” é a que mais pede consulta prévia ao conselho regional.
  • Antes, durante e depois: o art. 44, XII, veda usar essas imagens para granjear clientela. A Resolução CFO-196/2019 abriu uma exceção: o dentista que executou o tratamento pode divulgar imagens do diagnóstico e da conclusão, com termo de consentimento do paciente. Continuam proibidas as imagens do transcurso do procedimento e a promessa de resultado.
  • Consulta a distância: o art. 44, V, veda dar consulta, diagnóstico ou prescrição por veículo de comunicação de massa.
  • Captação ativa: desde a Resolução CFO-271, de junho de 2025, que cumpriu decisão do CADE de 2023, o art. 44, XIV, deixou de citar cartão de desconto e mala direta pela internet. Continua proibido divulgar e oferecer serviços com finalidade de aliciamento por “telemarketing ativo à população em geral”, caixas de som, plaqueteiros e outros meios de concorrência desleal.

Uma leitura nossa sobre esse último ponto: a mudança de 2025 não liberou o disparo para lista comprada. Mensagem não solicitada para quem nunca foi paciente se parece com a captação ativa que o código continua vedando, e além disso viola a regra de opt-in do WhatsApp.

Psicologia, nutrição, biomedicina e outras profissões da saúde têm conselhos e normas próprios, que não cobrimos aqui. Vale o mesmo método: ler a norma vigente do conselho antes de escrever a campanha.

Reescrevendo as mensagens que mais aparecem

A teoria fica clara quando se olha a frase. Abaixo, textos comuns em WhatsApp de clínica, o problema de cada um segundo a norma e uma versão que respeita a regra. As versões adequadas são sugestão nossa; a palavra final é do responsável técnico e, na dúvida, da comissão do conselho regional.

Texto comum Problema Versão adequada
“Resultado garantido já na primeira sessão!” Promessa de resultado (CFM, art. 11, XII; CFO-196/2019, art. 2º, §1º) “Na avaliação, a [profissional] explica o que esperar do tratamento no seu caso.”
“Avaliação médica grátis esta semana” Serviço médico gratuito anunciado em consultório privado (CFM, art. 11, §4º, c) “A consulta de avaliação custa [valor] e pode ser paga em [condições].” (valor e forma de pagamento são permitidos: CFM, art. 9º, VI)
“Indique uma amiga e ganhe uma sessão” Promoção vinculada a premiação (CFM, art. 9º, VIII); na odontologia, serviço como brinde ou prêmio (Código de Ética Odontológica, art. 20, VIII, e art. 44, X) Pedido de indicação sem contrapartida: “Se alguém próximo precisar, pode passar o nosso número.”
“Não deixe para depois, pode ser tarde demais” Mensagem que gera medo (CFM, art. 11, §2º, e, entre as formas de sensacionalismo) “Seu retorno combinado para [mês] está em aberto. Quer que eu veja um horário?”
“A melhor clínica da região” Autopromoção: conferir a si qualidades privilegiadas (CFM, art. 11, XVI e §3º); na odontologia, a Resolução CFO-196/2019 mantém proibida a autopromoção (art. 2º, §1º) “A Dra. [nome], [especialidade com registro], atende às [dias].”
Print do elogio de uma paciente, com nome e foto, mandado na campanha Depoimento repostado vira publicação do médico e precisa ser sóbrio (CFM, art. 8º, §3º, e art. 14, II, g); na odontologia, identificar paciente exige consentimento e não pode servir à autopromoção (art. 44, VI) Não usar depoimento identificado em disparo; se usar algum, sem nome, sem foto e sem adjetivo de resultado
“Manda uma foto que a doutora já te diz se precisa de tratamento” Consultoria no lugar da consulta (CFM, art. 11, XI). Na odontologia, o art. 44, V, veda consulta e diagnóstico por veículo de comunicação de massa, o que pesa se a frase estiver num anúncio ou disparo “Para saber o que é indicado no seu caso, a [profissional] precisa te avaliar. Tenho horário [dia] às [hora].”

Repare que a versão adequada quase sempre fica mais curta e mais concreta: horário, valor, nome do profissional. O que as normas cortam é justamente o adjetivo.

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Sete perguntas antes de aprovar um template

  1. O texto promete, garante ou insinua resultado, nem que seja com “vai ficar perfeito”?
  2. Aparece “grátis” ou “gratuito” ligado a serviço médico ou odontológico?
  3. Existe prêmio, brinde, sorteio ou contrapartida por indicação?
  4. Alguma frase tenta assustar para apressar a decisão?
  5. Há nome, foto ou qualquer dado que identifique um paciente?
  6. A clínica e o responsável técnico estão identificados no perfil do número ou na mensagem, como a norma do seu conselho pede?
  7. Quem vai receber autorizou mensagens da clínica e tem como sair?

Uma resposta “sim” nas cinco primeiras, ou “não” nas duas últimas, devolve o template para revisão. A sétima é regra da Meta, não do conselho, mas reprova do mesmo jeito.

Recepção, agente de IA e disparo: o que muda em cada um

Conversa da recepção

É o terreno mais seguro. Informar preço da consulta, convênios, horários e forma de marcar está entre as permissões do CFM. O cuidado é com a resposta a dúvida clínica, que precisa ir para o profissional, e com frases de entusiasmo que soam como promessa (“vai ficar perfeito!”). Vale escrever isso nas respostas prontas da equipe.

Agente de IA ou chatbot

O agente repete o tom do material que recebeu. Se a base tiver texto de marketing com promessa, ele vai prometer. Base em listas fechadas, sem adjetivo, e regra de transferir qualquer pergunta clínica. Um trecho de instrução que traduz as normas acima para o agente:

“Você atende a recepção da [clínica]. Pode informar procedimentos oferecidos, valores da tabela, formas de pagamento, convênios, endereço e horários, e marcar avaliação. Nunca diga que um tratamento funciona, garante ou resolve algo. Nunca chame avaliação ou consulta de grátis. Não comente fotos, sintomas, exames ou medicamentos: diga que a profissional precisa avaliar e transfira para a equipe. Não compare a clínica com outras nem com outros profissionais. Se a pessoa pedir para não receber mais mensagens, confirme e transfira.”

Teste o agente com as perguntas da tabela acima antes de ligar no número da clínica. Se ele escorregar em alguma, o problema está na base de conhecimento, e é lá que se corrige. O guia de secretária virtual no WhatsApp da clínica trata desses limites.

Disparo para a base

É onde a regra do conselho e a regra da Meta se somam. Pelo lado da Meta, a campanha é template de marketing (R$ 0,3217 por mensagem entregue no Brasil, cobrado direto pela Meta) e exige opt-in: a pessoa deu o número e autorizou receber mensagens. Pelo lado do conselho, o texto do template é publicidade e segue as vedações acima. Um template sem promessa, sem “grátis” em serviço médico, com identificação correta e para quem autorizou cumpre as duas camadas. O passo a passo da autorização está no guia de opt-in no WhatsApp.

A Cubo Suite entra como ferramenta: o disparo filtra o público por etapa, etiqueta e campos do CRM, e o pedido de saída vira etiqueta que a clínica exclui das próximas campanhas. O conteúdo da mensagem é decisão da clínica e do responsável técnico, e nenhuma plataforma resolve isso por você. A Cubo também não substitui prontuário nem agenda clínica; ela cuida do WhatsApp, do atendimento e do acompanhamento. Se quiser ver como o filtro de público e o opt-out funcionam com a sua base, crie a conta grátis e teste o disparo com segmentação por 3 dias, sem cartão. O papel do disparo dentro da operação da clínica está no guia de CRM para clínicas.

Perguntas frequentes

O CFM permite divulgar preço de consulta no WhatsApp?

Sim. A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento, e anunciar descontos em campanhas promocionais, sem vincular a venda casada ou premiação.

Clínica médica pode anunciar avaliação gratuita pelo WhatsApp?

A mesma resolução trata como concorrência desleal anunciar serviços médicos gratuitos em consultório privado. Se a avaliação é feita por médico, consulte a comissão de publicidade do CRM antes de usar a palavra grátis na campanha.

Dentista pode mandar foto de antes e depois pelo WhatsApp?

O Código de Ética Odontológica veda o antes, durante e depois para captar clientela. A Resolução CFO-196/2019 permite ao dentista que executou o tratamento divulgar imagens do diagnóstico e da conclusão, com termo de consentimento do paciente e sem promessa de resultado.

Template aprovado pela Meta está liberado pelo conselho?

Não. A Meta avalia o template pelas regras do WhatsApp. A publicidade médica e odontológica segue as normas do CFM e do CFO, e as duas camadas precisam ser cumpridas ao mesmo tempo.

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